Atropelo policial
por Aristoteles Atheniense
Quando nos dirigíamos as montanhas de Tehran, passamos em frente ao grande prédio em que funcionou a embaixada americana no governo de Jimmy Carter. A invasão deste edifício de cor avermelhada por determinação do Aiatolá Khomeini importando da manutenção dos reféns durante 444 dias. O assunto tornou-se o mais importante no final da administração Carter, ganhando destaque nos órgãos de divulgação de todo o mundo.
Presentemente, com viemos, a saber, ali funciona o serviço secreto do governo iraniano que corresponde a um departamento de polícia política reputada como sendo do maior significado da garantia do país.
Naquele local, não há qualquer proibição ostensiva a tomada de fotos, ao contrário do que sucede em outros edifícios públicos de Tehran.
Do lado exterior, em um extenso muro, lê-se a frase de Khomeini em tintas azul, vermelha e branca contendo os seguintes dizeres: “We will make América face a severe defeat”, tradução : “Nós faremos com que os Estados Unidos sofram uma derrota severa”.
O nosso motorista Efremati reduziu a velocidade facilitando ao Alexandre a tomada de fotos velendo-se de sua digital Canon e de minha compacta Casio.
De súbito tivemos interceptado o nosso trajeto e surpreendidos com a presença de uma viatura ocupada com dois guardas fardados. Nas costa do uniforme constava a palavra “Naja” que deve ser a corporação a que pertencia.
Em voz enérgica reprimiram a atitude do Alexandre, apossando-se logo de sua câmera, sem perceber a existência da outra, também já acionada.
Arrebataram-lhe a câmera, estacionando a viatura um pouco adiante do nosso carro. Não fizeram o uso de algemas, mas mantiveram sob sua custódia enquanto faziam contatos pelo rádio com algum órgão desconhecido.
O nosso motorista Efremati, juntamente com seu pai Moshen, explicaram o ocorrido, ressaltanto que se tratava de turista brasileiro que não tinha qualquer intenção o órgão oficial fotografado.
Não foi revelada a nossa condição profissional, pois o advogado no Irã não dispõe de maiores garantias ou quem recorrer naquela situação.
Permanecemos ansiosos na expectativa do que estaria sendo reservado, sabedores de que os militares já haviam contatado um órgão de segurança a quem certamente deram ciência do ocorrido.
Dali não nos afastamos, nem tentamos fazê-lo, até que chegou o agente policial a paisana, que ouviu a exposição do guia inteirando-se da documentação que o mesmo portava que nos dizia respeito. Moshen procurou persuadi-lo de que não fora cometida qualquer infração intencional.
Permanecemos ainda retidos durante algum tempo na espera de uma solução de conseqüências imprevistas. Por fim, o agente liberou a câmera do Alexandre mediante a condição de fossem apagadas as fotos tiradas na ex-embaixada.
O impasse durou aproximadamente 30 minutos, tendo gerado compreensível insegurança diante da gravidade que o fato assumiu por parte dos policiais que empreenderam a diligência.
Quanto a mim, preferi permanecer afastado dos acontecimentos, pois se sobreviesse a transferência de Alexandre para outro local, só me restaria recorrer a embaixada brasileira expondo-lhe o acontecido para efeito das providências consideradas cabíveis e que viesse a ser adotadas.
Que aperto em meu amigo? Desse jeito prefiro nossos problemas com os "meganhas", que facilmente são subornados.... a tradicional cervejinha...
Aproveite os últimos dias.....
Fred e Lu
Posted by: Fred Pace | 24-01-2006 at 22:04:08 America/Sao_Paulo
Uma viagem não é uma viagem se as malas nao vierem abarrotadas de estórias pra contar... Essa seguramente será um daqueles 'causos' memoráveis!! Ainda bem que nada de mais grave aconteceu!! Abraços.
Posted by: Lara Selem | 22-01-2006 at 13:06:37 America/Sao_Paulo