Aventuras no Pais dos Aiatolas
O relógio do aeroporto Internacional de Tehran Ima Komeini (Aiatola Komeini) marcava meio dia quando desembarcamos em uma manhã ensolarada no Irã. Não pense que apesar de termos voado apenas 2 horas desde Dubai, com um fuso horário de menos meia hora, a temperatura aqui era equivalente aos 23 graus de lá.
Muito pela contrário, faz zero graus mas não neva contrariando o que havíamos conferido pela Internet.
O primeiro impacto ao desembarcar era que estávamos em um lugar distante do centro, certamente eles tiraram a idéia de construir este aeroporto do nosso Confins....
O aeroporto é bem quieto e não se existem pessoas falando em voz alta. A trilha sonora que se ouve dos alto falantes chama minha atenção, pois ouço cânticos islâmicos parecidos com o que se entoa nas mesquitas nos vários momentos de oração diária.
O vôo com a Iran Air é muito bom, viemos num airbus A310 bem vazio. A comida era ótima com um strognoff de file, iogurte natural com salada e Zam Zam Cola. Zam Zam Cola, o que é isto ?? Por causa do embargo comercial dos Estados Unidos ao Irã, nesta terra não existe a presença de produtos ou empresas multinacionais americanas. Portanto, esqueça Coca Cola ou Pepsi Cola e tome Zam Zam Cola ! Mc Donald's também não tem... Tem Star Burguer...
As aeromoças bem como todas as mulheres usam chador (que é aquele véu sobre a cabeça). É interessante... só de entrar dentro da aeronave todas mulheres inclusive as estrangeiras são obrigadas a usa o véu).
Mas as aeromoças são muito simpáticas, puxam papo, querem saber se estamos gostando da comida e se nós precisamos de alguma ajuda em Teerã. Tanta
Outra surpresa foi que ao desembarcar foi que não existe free-shop e todos os passageiros são obrigados a passar todas as bagagens – inclusive as de mão – em um scanner. Talvez isto se justifique para verificar se alguém está entrando no país com algum produto em desacordo com a rigorosa lei islâmica daqui.
Mas surpresa mesmo nos aguardava depois da imigração. Nestes países mais complicados sempre contratamos um serviço receptivo para nos aguardar no aeroporto e levar para o hotel. Tudo tem funcionado muito bem, mas aqui falhou. Ao desembarcarmos não tinha ninguém nos esperando. Nada de pânico ! Tranquilamente fui a uma casa de câmbio onde troquei algum dinheiro e perguntei ao funcionário onde tinha um telefone público para entrar em contato com a agência de turismo local.
Feita a ligação, uma mulher chamada Rana me atende e tenta justificar o injustificável – eles esqueceram de nós – disse que se eu quisesse esperaria mais uma hora no aeroporto que o carro estaria chegando. Disse a ela que iria contratar um taxo e que ela depois me reembolsasse a corrida. E ainda, que arrumasse um motorista com carro à disposição para passear a tarde pela cidade.
Ao chegar ao hotel Howeyezeh Hotel o motorista chamado Ali já nos aguardava. Menos mal...
Na portaria do hotel ao fazer o check-in ao falarmos para os atendentes que éramos brasileiros a situação foi logo melhorando. Um funcionário chamado Keini era fanático com o futebol brasileiro, exaltou a nossa seleção de 70 e falou de cor a sequ6encia dos gols que o Brasil marcou na partida contra a Itália que nem eu mais lembrava...
Graças a Deus somos brasileios e sabemos jogar bem futebol – a maioria dos turistas brasileiros não sabe tirar vantagem disto – mas começar uma conversa falando logo que é brasileiro e que gosta de futebol costuma facilitar muito as coisas...
Para nossa surpresa durante o tour no carro particular do Ali (um voyage – alguém se lembra deles ??) fomos acompanhados por um amigo dele (ou seria primo), ou quem sabe um espião dos aiatolás - que não falava nenhuma palavra de inglês (só persa). O tal sujeito ficava mudo sentado no banco da frente parecendo uma estátua, mas era muito educado e cortês.
Durante o percurso vi que Tehran é uma cidade enorme com 14 milhões de habitantes situada ao pé de uma cadeia de montanhas que esta época do ano está toda coberta de neve.
Saímos para dar uma volta na cidade e fomos inicialmente ao Bazaar pois queríamos ter contato com algo o cotidiano local. Ao chegarmos nos lembramos do Grand Bazaar de Istambul, é uma construção antiga com várias galerias vendendo de tudo. Tem um setor que só vendem muito ouro...
Ao sair do Bazaar fomos a Mesquita do Xá, que fica situada em uma praça fechada com uma fonte no meio onde o pessoal, apesar do frio, tira os sapatos para lavar os pés e matar a sede. Entramos em uma mesquita para conhecer. É muito diferente o interior da mesquita em relação a uma igreja ou templo, seja budista ou hindu.
Lá dentro não existe qualquer adorno, altar ou coisa parecida, somente vários tapetes vermelhos enormes onde os muçulmanos oram sem sapatos que são colocados em uma sacolinha verde de pano logo na chegada. O silêncio é total dentro da mesquita. Noto vários de joelhos fazendo aquele movimento com a cabeça em direção ao chão. O movimento de entra e sai é intenso, mas todo em silêncio absoluto.
Em seguida, pedi ao motorista que me levasse a uma casa de esportes pois eu queria uma camisa da seleção do Irã – que vai para a Copa da Alemanha – para minha coleção de camisas de futebol.
Pedimos ao motorista uma sugestão para o jantar um restaurante de comida típica que tivesse música ao vivo. Fomos ao Alighapoo, situado na Av. Gandi n. 55, na parte norte da cidade (mais ao alto no sopé das montanhas). O nosso motorista não apareceu para ir nos levar para jantar, mas mandou o seu “amigo”. Fomos de táxi. O ambiente lá era muito agradável...
O restaurante estava cheio de turistas e o ambiente era bem alegre (nos estilo iraniano é claro ...). A entrada era com várias saladas diferentes que eles adoram “temperar” com iogurte natural. O prato principal foi uma tura com um arroz típico meio crocante, embora as opções fossem também de vários tipos de Kebab. A sobremesa típica é a baclava – uns doces cujo sabor eu não sei explicar direito.... Meu pai reclama que com o frio está louco para tomar um trago, mas aqui nem turista tem este direito, o jeito então é encarar a Zan Zan Cola e muito chá !!!
A música ao vivo não chega a ser melodiosa, tem um cantor que parece com Antônio Jamim. A música árabe é mais agradável. Um detalhe importante a ser lembrado. O Irã apesar de ser muçulmano não faz parte do mundo árabe, estamos na Pérsia que tem influência de ancestrais russos.
Outra informação importante. Os aiatolás também não gostam de Orkut ! Apesar dos iranianos se colocarem em segundo lugar no ranking das nacionalidades que acessam o Orkut atrás dos brasileiros, fui informado pelo meu motorista que o site fez muito sucesso aqui entre os jovens. Talvez por motivos óbvios de tentar fugir ao controle do Estado. Mas como o Estado aqui controla tudo o que ocorre nos provedores de acesso, o Governo mandou criar um filtro ano passado impendindo o acesso ao site por entender que o seu conteúdo é contrário aos valores islâmicos.
É o que eu sempre falei que tem a infra-estrutra da rede na suas mãos faz valer a lei no mundo cibernético !
Alexandre, que maratona! Haja know how para driblar as mumunhas de cada aiatolá e seus carabinieri; e blog que comporte todo episódio que vocês viveram nessa maratona.
Abraço.
Posted by: Carlos Goulart | 22-01-2006 at 12:04:14 America/Sao_Paulo
Tamanini nos contou do aperto que vcs passaram aí com o policial da Naja. Estou desesperada de curiosidade para ver as fotos que sobraram aí na câmera Cássio do doutor Aristóteles!!!!
E tome Zan Zan Cola!
Posted by: Fernanda Loureiro | 20-01-2006 at 15:37:25 America/Sao_Paulo
Prezado Alexandre e Dr. Aristoteles -
estou impressionado com as fotos...estou impressionado com o tipo de cenário completamente "National Geographic" da viagem de vocês.
Parabéns pela bravura de viajar em terras tão exóticas.
Aproveitem!
Abraços,
Walter Rodrigues Filho
Posted by: Walter Rodrigues Filho | 18-01-2006 at 23:37:29 America/Sao_Paulo
A Lara esta certa, legal viajar nesse blog e... a foto com tunica Arabe esta mesmo de tirar o véu!
Posted by: Erika | 18-01-2006 at 17:29:52 America/Sao_Paulo
Prezados amigos Aristoteles e Alexandre, está resolvido. O consulado simbólico de Sana Bárbara vai assumir o compromisso de repatriar estes dois exilados espontâneos mundo a fora.
Abraços e bom proveito.
Posted by: Jose Anchieta da Silva e Gustavo Silva | 17-01-2006 at 18:09:28 America/Sao_Paulo
A cada dia que passa essa viagem fica melhor!! Vc ficou bem "bunitin" vestido de árabe, Alexandre!!! O 7 estrelas de Dubai é simplesmente "fantastic"... que arquitetura, hein?? Pelo jeito, a construção civil ali vai de vento em popa... quanto guindaste em prédio!! Que sossego o tal do "chador", hein amigo?? Nao precisa estar maquiada, nem fazer escova, nem estar com a roupa combinando, nem estar acima do peso, e ainda pode usar todo aquele ouro sem medo de assalto... Isso que é proteção de privacidade!!! E quem disse que em Teerã nao tem BigBrother? Não duvido que em cada foto do Aiatolá tenha uma câmera escondida... Bem, queridos amigos, continuem fazendo quem está aqui viajar também. Desculpem as brincadeiras... O blog está ótimo! Abraços!!!!!
Posted by: Lara | 17-01-2006 at 17:40:00 America/Sao_Paulo