Confesso que a
primeira vez que ouvi falar em Isfahan foi através da minha mãe quando comprava
tapete persa, referindo-se que a procedências dos tapetes daquela cidade e de
Naim (outra cidade histórica que dista 150 km
A escolha de
Isfahan se deu por algumas reportagens da Gloria Maria no Fantástico, algumas
fotos do Paulo Coelho publicadas na Revista Caras e depois com a contribuição
do Cadinho que me emprestou um bom livro de fotos sobre a cidade.
Logo vi que era um
lugar interessante muito além da sua tradição de tapetes. Possui uma beleza
diferenciada pela sua arquitetura que influenciou todo o mundo árabe, India e
sul da Espanha. Destacam-se as suas pontes, o Bazaar, as mesquitas de cúpula
azul e dourada formada por um mosaico gigantesco, a Iman Square, segunda maior
praça do mundo perdendo apenas para a Praça Tianamem (Praça da Paz Celestial)
em Pequim.
Chegando lá,
obviamente fiquei sabendo de muitas coisas interessantes. A cidade está
geograficamente no meio do Irã a 45 minutos de vôo de Tehran. Foi fundada há
2500 anos atrás, faz parte da rota da seda, já foi capital do Irão por duas
vezes, sendo que a última a 1000 anos atrás. Está localizada a beira do Rio Zayandeh.
A grande maioria dos monumentos que visitamos data de 450 anos atrás durante o
império da dinastia Safavid. A cidade sofreu vários bombardeios durante a
guerra com o Iraque (1982-1990), mas felizmente seus principais monumentos
permaneceram intactos.
Logo ao chegar
fomos a Ponte Khwaju. Chegamos lá em um belo fim de tarde no dia festivo
religioso para os Muçulmanos – eles comemoram o aniversário de Iman Ali – um
dos mais antigos líderes do Islamismo que viveu a 1000 anos atrás.
O lugar é muito
bonito, a ponte cheia de arcos, que funciona também como um dique, pode ser
transitada em dois níveis. É um lugar aonde os casais vão para namorar sentado
na beira da escadaria que vai de encontro ao rio. Mas o namoro no estilo
iraniano é bem diferente. Em público o casal não dá nem a mão.!...
O que tem de mais
pitoresco em relação esta ponte é que o povo daqui vem para ponte para cantar.
Isto mesmo! Cantar ... O comum é vê-los em pé defronte do rio contando algo
incompreensível em farsi (língua deles). Para falar a verdade não achei a
melodia iraniana bonita, não sei se pelo fato de que ficou muito difícil saber
se a melodia era um hino religioso ou não. Para mim fez pouca diferença.
Ainda à noite sobra
tempo para passear pela Iman Square. O impacto ao chegar na praça é
inesquecível em razão do fato desta ser enorme e fechada. Ao seu redor
destacam-se vários bazares e mesquitas.
No dia seguinte,
saímos pela manhã para conhecer o Hast Behesht Palace, com seu lago espelhado
que estava totalmente congelado, o Shaking Minaret que é uma mesquita da igreja
zoroasteira, umas ruínas de 2500 anos, outra bela ponte onde os locais faziam
piquenique na quinta-feira festiva para os muçulmanos.
À tarde voltamos a
Iman Square para conhecer a parte interna das mesquitas. Chama-me atenção a mesquita
Sheikh Luftollah - que no passado só era permitido o acesso para mulheres - cujo topo do teto tem um desenho de um pavão que
com o reflexo da luminosidade sobre o teto forma a cauda. Pela foto dá para
perceber isto nitidamente.
O mercado de
especiarias também é muito interessantes com vários tipos de tempeiros locais
como sementes de romã, açafrão vermelho e outros que não consegui
identificar...
À noite vamos
jantar no Hotel Abassi que vale a pena ser conhecido.
No dia seguinte,
meu pai preferiu descansar pela manhã em razão da maratona que seria as conexões
até Vienna. Saí com o guia para conhecer alguns minaretes como o da Mesquita
Iman Ali para tirar fotos .
Sexta-feira nos
países muçulmanos equivale ao nosso domingo e o ritmo da cidade é festivo.
Saímos a tarde para
Tehran satisfeitos pelo que vimos e fomos surpreendidos coma beleza de
Isfahan...
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